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Surtos
(Flare-ups) de Fibrodisplasia Ossificante Progressiva associados
à Influenza viral
Richard
Scarlett, B.S., David Rocke, Ph.D., Sharon Kantanie, M.A.T., Jean
Patel, M.D., Eileen Shore, Ph.D., Frederick Kaplan, M.D.
Introdução:
Em pacientes com fibrodisplasia ossificante progressiva (FOP), surtos (flare-ups) levando à formação de ossos heterotópicos (extra) são muito comumente desencadeados por traumas nos tecidos moles. Há muito tempo suspeita-se que doenças virais possam desencadear surtos de FOP, mas até o momento houveram poucas evidências quanto à existência de uma associação viral.
Em janeiro de 2001, observamos surtos graves que acarretaram restrição de mobilidade em duas meio-irmãs portadoras de FOP dentro de 12 horas do início dos sintomas de uma infecção por influenza B confirmada por cultura.
Métodos:
Com o objetivo de determinar a associação potencial e o impacto de infecções por influenza em surtos de FOP, um questionário foi elaborado para avaliar se pacientes com FOP apresentaram sintomas de influenza durante a estação típica de ocorrência da mesma nos anos de 2000-2001 (Outubro 2000 - Abril 2001), e se os surtos de FOP estavam relacionados à estas infecções.
O questionário foi divulgado eletronicamente no website da Associação Internacional de Fibrodisplasia Ossificante Progressiva ( IFOPA - www.ifopa.org <http://www.ifopa.org> ) e traduzido para outros idiomas. Todos os 264 membros da IFOPA foram chamados a participar do estudo. Foram ainda enviados questionários pelo correio para todos os membros da IFOPA que não completaram a versão eletronica.
Resultados:
Dos 264 membros (115 homens, 149 mulheres) da IFOPA, foram obtidas 123 respostas (53 homens, 70 mulheres), representando 47 porcento dos pacientes conhecidos de FOP de todo o mundo. Utilizando um rigoroso critério clínico para a infecção viral por Influenza, 10 dos 123 que responderam (8 porcento) contrairam a infecção por Influenza durante a estação típica de gripes nos anos 2000-2001. Dos dez pacientes que reportaram a infecção por influenza, seis (60 porcento) apresentaram surtos de FOP durante a doença viral. Cinco destes seis desenvolveram a formação de ossos heterotópicos e perda permanente de mobilidade. Não houve diferença de idade entre aqueles pacientes que tiveram surtos e os que não tiveram (idade média de 28/29 anos, respectivamente).
Dos 113 pacientes que não relataram sintomas consistentes com a infecção por influenza, 12 pacientes (11 porcento) descreveram surtos de FOP durante a estação típica de gripes nos anos de 2000-2001. Dos 123 pacientes que responderam ao questionário, 28 relataram ter recebido imunização para a influenza. Apenas um paciente que recebeu a vacina para a gripe (imunização profilática) contraiu a influenza.
Não houve relato de episódios de ossificação heterotópica como resultado da imunização para influenza. Entretanto, dois pacientes relataram ter apresentado surtos de FOP após terem recebido vacinas intra-musculares para influenza durante outras estações propícias para a influenza.
Conclusão:
Estes dados sugerem intensamente que as infecções por influenza atuam como um fator desencadeante de surtos incapacitantes em pacientes com FOP. Os pacientes com FOP que TIVERAM influenza tiveram chance de 60% de ter um surto COMO UM RESULTADO DA INFLUENZA, enquanto pacientes com FOP que não tiveram influenza tiveram apenas 11% de chance de ter um surto durante a estação típica de gripes.
Estes dados são de alto significado estatístico. A imunização profilática contra a influenza viral pode ser um meio razoávelmente seguro e efetivo de prevenir esta complicação peculiar à população de pacientes com FOP. Nós recomendamos que pacientes com FOP, especialmente os mais velhos e que já tenham doença restritiva grave da parede torácica, considerem receber imunizações contra a influenza não intra-musculares (por administração subcutânea)
Uma vez que a vacina é administrada na maior parte das vezes por via intra-muscular, você precisará de uma requisição especial para a vacinação subcutânea.
A vacina contra a gripe nunca deve ser administrada a alguém alérgico a ovos (uma vez que a vacina contra a gripe é desenvolvida e cultivada com ovos).
Adicionalmente, pessoas que cuidam e que vivem com pacientes com FOP também devem ser imunizadas anualmente. Uma preparação da vacina contra a influenza em spray intra-nasal está sendo atualmente avaliada pela U.S. Food and Drug Administration (FDA). Se e quando a vacina intra-nasal contra a influenza for aprovada, ela será a via ideal de administração para pacientes com FOP. Os pacientes costumam nos contar acontecimentos que nos levam a recomendar que as imunizações contra influenza não sejam feitas durante os surtos.
Nós do laboratório, gostaríamos de expressar nossa admiração aos membros da IFOPA que participaram neste estudo. Sem os dados destas famílias, nós não teríamos sido capazes de descobrir que existe uma ligação entre os surtos de FOP e as infecções por influenza.
Protegendo-se contra a gripe
Mantenha seu corpo o mais saudável possível; boa dieta, dormir bem.
Evite pessoas que você sabe que estão doentes.
Lave as mãos com frequência ; e as mantenha longe da sua face e olhos, minimizando a chance do vírus ser transmitido à corrente sanguínea.
Vacina contra a gripe ( Solicite injeção subcutânea devido ao risco que as injeções intra-musculares representam para a FOP).
Se você já tiver pego a gripe:
A Food and Drug Administration aprovou duas novas drogas. Relenza (zanamiver) é uma droga prescrita para inalação que pode reduzir os sintomas da Influenza A e B e acelerar a recuperação do paciente se tomada nos dois primeiros dias dos sintomas.
Tamiflu (osteltamivir) é uma pílula que produz resultados semelhantes.Tamiflu foi aprovado também para a prevenção da gripe (ajuda a prevenir a disseminação do v´rus da gripe quando é tomado pelo paciente). Estudos também mostraram que a droga Relenza também é capaz de prevenir a gripe.
Duas outras drogas, a amantadina e a rimantadina, também podem ajudar a reduzir os sintomas, mas só funcionam contra o vírus influenza A. Estas drogas também precisam ser tomadas dentro de 48 horas, e pode se desenvolver resistência à estas drogas. > No futuro, uma vacina nasal contra a gripe também poderá estar disponível. Ao contrário das injeções, esta vacina é inalada. Entretanto, como esta vacina utiliza um vírus da gripe "vivo" , neste último verão a Food and Drug Administration decidiu que mais estudos são necessários para determinar a sua segurança.
Tratar a família do paciente com gripe:
Quando a gripe aparece, tratar outros membros da família com medicamentos anti-virais, e não apenas o indivíduo afetado, parece reduzir o risco de disseminação da doença. Em um estudo da Universidade de Saint Louis, as vítimas da gripe foram tratadas com oseltamivir (Tamiflu) e os membros das suas famílias também receberam a droga ou placebo uma vez ao dia durante 10 dias. Dos 406 membros da família que tomaram a droga, 11 tiveram gripe. No grupo não tratado de 392 pessoas, 40 tiveram gripe.Os resultados foram recentemente apresentados no encontro da Sociedade Americana de Microbiologia em Chicago.
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